Uma carteira de ações é formada por papéis de empresas, as quais devem ser escolhidas com a finalidade de proporcionar o melhor resultado ao investidor. A compra de uma ação confere ao investidor as prerrogativas de um sócio; ele passa a participar dos resultados do negócio, ao mesmo tempo em que assume os seus riscos.

Se você está pensando em diversificar a sua carteira de ações, acompanhe a leitura e siga o passo a passo que recomendamos!

Vale a pena investir numa carteira de ações?

O Brasil tem hoje a menor taxa Selic desde o início de sua série histórica, em 1996. Segundo a última reunião do Copom, ocorrida em 17 de junho, há chances de novos cortes de juros como medida de estímulo ao crédito. Tudo dependerá da evolução da pandemia e da avaliação de seus impactos na economia. Em tempos de crise, é mais complicado escolher o tipo ideal de aplicação. Contudo, neste cenário de taxas baixas, uma carteira de ações pode potencializar o resultado de seus investimentos.

Porém, a perspectiva de maior rentabilidade não é o único fator que deve motivar o investidor a formar uma carteira de ações. Há outras reflexões importantes, dentre as quais destacamos: 

Ações não são um investimento de curto prazo

Segundo Luiz Barsi, um dos maiores investidores pessoa física do mercado financeiro brasileiro, disciplina e paciência são fundamentais para ganhar dinheiro com ações. O espírito do investidor desta modalidade deve ser, antes de tudo, o de um “pequeno sócio”, sem a preocupação imediata de quando sairá do negócio. 

Pense no seguinte: a empresa precisa produzir, vender, receber e só então poderá distribuir rendimentos aos sócios. Dependendo do setor de atuação, esse ciclo pode ser mais ou menos longo e, além disso, eventuais turbulências na economia também poderão afetá-la. E, vale lembrar, que esses acontecimentos são muito mais frequentes em economias instáveis como a nossa. 

Quando cai o preço das ações de uma empresa, não significa, necessariamente, que ela tenha problemas. Crises econômicas, políticas e sociais são alguns dos fatores que influenciam na precificação das ações e, sobre os quais, as empresas não possuem ingerência. Por isso, o tempo é muito importante para que o desempenho de uma carteira de ações seja corretamente avaliado, a fim de que injustiças não sejam cometidas. Se você pensa em contar com essa categoria de investimento para a sua liberdade financeira, fique atento a todos esses fatores. 

Ações são um investimento de risco

Diferentemente da renda fixa, não há nenhuma garantia de ganho em ações. Aqui, o trabalho do especialista é minimizar o potencial de perda através da escolha de bons papéis. Por outro lado, devido a alta volatilidade, podem também proporcionar ganhos muito mais elevados do que outros investimentos mais seguros.

Uma vez que esses dois pontos estejam claros para o investidor, vamos ver a seguir o passo a passo de como montar uma carteira de ações.

Passo a passo para diversificar a carteira de ações

1. Definir o prazo do investimento e o fluxo desejado de recebimento dos rendimentos

Antes de definir esses dois pontos, podemos classificar as empresas em 3 grupos para fins de investimentos:

Empresas que pagam bons dividendos

Dividendos são uma parcela dos lucros de uma empresa, que são distribuídos entre os acionistas.

Empresas que pagam bons dividendos aos seus acionistas são aquelas de perfil mais sólido e maduro, que possuem estabilidade financeira e que apresentam um histórico de lucros consistente.

Grande parte das empresas distribuem seus dividendos trimestralmente ou anualmente, porém fica a critério de cada companhia a frequência desta distribuição.

Small Caps

Oferecem mais risco, mas também podem proporcionar melhores retornos. As small caps são ações de empresas com menor valor de mercado, normalmente por ainda não terem atingido o estágio de maturidade de seu negócio. Por isso mesmo, possuem potencial de valorização maior do que empresas já consolidadas.

É importante observar também que essas empresas, justamente por ainda estarem em desenvolvimento, têm menor liquidez na Bolsa. Isso torna os investimentos em small caps mais suscetíveis a oscilações do mercado e, consequentemente, eleva o seu risco. Nessa categoria também estão empresas não tão bem capitalizadas, outro fator de risco que merece atenção por parte do investidor.

Blue Chips

São ações de empresas consolidadas no mercado, como grandes companhias com resultados operacionais robustos e bons históricos de distribuição de dividendos.

As blue chips são aquelas empresas das quais gostaríamos de ser sócios. Por isso, investir nelas é uma excelente estratégia de longo prazo.

2.    Escolher as ações

Há duas principais análises para que possamos entender a dinâmica do mercado financeiro:

Análise Técnica: utiliza a análise de gráficos e dados das ações para estabelecer tendências de preços. Segundo essa análise, há um padrão no movimento dos preços que se repete ao longo dos anos.

Análise Fundamentalista: como o próprio nome diz, preocupa-se com os fundamentos da empresa. Realiza-se um diagnóstico completo que envolve demonstrações financeiras, planejamento, setor de atuação, políticas de governança, dentre outros aspectos.

Pela ênfase no movimento histórico dos preços, a análise técnica é mais utilizada no curto prazo, já a análise fundamentalista dá mais importância ao desempenho da empresa no longo prazo, a fim de buscar ganhos na valorização do papel e na distribuição de dividendos. O ideal é que ambas sejam utilizadas na escolha dos papéis que irão compor a carteira.

3.  Diversificar os setores

Ter ações de diversas empresas do mesmo segmento não é propriamente diversificar. Imagine uma carteira de ações composta por diversos papéis de empresas do setor petrolífero, por exemplo. Uma crise mundial de abastecimento de petróleo afetará o preço de todas as ações da carteira.

Não há consenso entre quantos setores devem compor uma carteira de ações. Especialistas sugerem de cinco a dez segmentos, o que dependerá, dentre outros fatores, do perfil da carteira e do valor investido. 

4. Prestar atenção em segmentos mais vulneráveis

Mesmo que você não seja da área financeira, é interessante que se mantenha razoavelmente informado sobre economia. A pandemia trouxe prejuízos a setores como aviação, turismo e entretenimento, mas também proporcionou o incremento de atividades de supermercados e e-commerce, por exemplo. Acompanhar a movimentação da economia mundial será fundamental para o controle de sua carteira de ações. 

E como iniciar? 

O primeiro passo é procurar uma assessoria de investimentos. Com isso, você terá à disposição uma equipe atenta ao seu perfil de investidor, orientada por seus objetivos e atualizada nas mudanças do mercado. Desse modo, você irá possuir todo o instrumental para montar e acompanhar uma carteira de ações diversificada e de sucesso.

Felipe Chad
Autor

Felipe Chad, CFP®, é o sócio fundador do portal Omeupatrimonio.com.br e da 3P Capital. Tem vários anos de experiência em atendimento a clientes de alta renda e private, além de ser líder de equipe de assessores de investimentos há mais de 10 anos.

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