A crise do coronavírus causou um choque na economia nacional. O cenário de recessão para o ano já é certo. E a dúvida não é se a economia retrairá, mas o quanto e qual a duração. 

Este panorama pode parecer aterrorizante para o investidor que, mais do que nunca, precisa saber o que fazer neste cenário de incerteza envolvendo investimentos e crise. Será a hora de mudar seu perfil, investir em renda fixa, arriscar na bolsa e, se sim, em quais ativos? 

Ao final de 2019, políticas que garantiram inflação e juros baixos, aliadas com promessas de reforma previdenciária, administrativa e tributária, deram aos investidores perspectivas de um 2020 com retomada de crescimento econômico. Como consequência, a baixa rentabilidade da renda fixa (5,96% na CDI) comparada a bolsa de valores (rendimento de 27% da Ibovespa) fez com que investidores migrassem em massa para a renda variável.

A chegada da pandemia do COVID-19, entretanto, impactou profundamente o cenário do investimento nacional. Isso porque, numa crise de saúde pública, em que a recomendação foi o isolamento social, envolvendo o fechamento de diversas atividades comerciais e industriais, cria-se restrição tanto na demanda quanto na oferta.

Empresas sem clientes e funcionários correm o risco de quebrar, afetando assim toda economia nacional e gerando um período de extrema instabilidade. A incerteza fez a bolsa de valores despencar e os investidores, nesta conjuntura, acabam ficando receosos sobre quais ações tomar.

A história das crises e do mercado financeiro

Não é a primeira vez que investidores enfrentam crises, sejam surtos de saúde pública ou recessões econômicas, e a história tem bastante a ensinar sobre como agentes e mercado reagem a períodos frágeis e de insegurança. 

A primeira lição é que, sempre que o momento gera grandes incertezas, há um forte movimento de fuga para a segurança. Os investidores tendem a dar prioridade para a preservação do seu patrimônio enquanto a crise persiste, esperando ela passar antes de arriscar investimentos de maior volatilidade. Esta guinada para investimentos seguros é conhecida como “flight-to-quality“, ou voo para qualidade.

A segunda lição é que estudos feitos sobre estes períodos revelam que após queda em ano de crise, a bolsa de valores tende a se valorizar fortemente nos 2 anos seguintes. Assim, estratégias de vendas de ações podem não ser as mais indicadas. Pois, o valor dos ativos se recupera e cresce ainda mais no médio e longo prazo, fazendo o investidor se recuperar das perdas deste período. 

Ainda neste ponto, estudos de outros casos de pandemias, como H5N1, Sars e H1N1 mostraram que entre um e seis meses após o fim do surto, a Bolsa de Valores já apresentava tendência de alta

Isto porque em casos de crise de saúde, a economia segue um formato de “V”, isto é, queda abrupta e rápida, seguida de recuperação com igual velocidade e inclinação. Isso indica que esta crise, apesar do impacto econômico, pode produzir diversas oportunidades de investimento, dependendo do perfil de cada investidor. 

O investidor conservador e o “flight-to-quality”

O que parece consenso entre especialistas, é que o maior erro que pode ser cometido em períodos de crise é mudar radicalmente o seu perfil de investimento. Então, para os investidores mais conservadores, mais preocupados em manter o patrimônio e garantir liquidez, em realizar o “flight-to-quality“, há três tipos de investimentos mais indicados:

  • Fundo de Ouro

O ouro é a mais tradicional reserva de valor do mercado, portanto é segura. Historicamente, há sempre valorização do ouro em períodos de guerra, crises e desastres naturais. Por essa razão, pode ser vantajoso adquirir contratos e fundos atrelados a este metal. 

  • Fundo cambial

Em momentos de crise, investidores tendem a investir em moedas mais fortes, o que faz com que o real se desvalorize. Por isso, investir em fundos cambiais é uma forma segura e de conseguir retorno em contexto como este. 

  • Tesouro Selic

Apesar da queda da Taxa Selic, fazendo os rendimentos fixos perderem rentabilidade, o Tesouro Selic ainda é uma boa opção para aquele investidor que precisa de liquidez, segurança, e rentabilidade maior que a poupança. 

As ações durante a crise

A crise do coronavírus teve um efeito econômico de baixar as taxas de juros em níveis globais. Portanto, é muito improvável que haja aumento desses valores de forma significativa no curto ou médio prazo. 

Ao mesmo tempo, com a queda da Bolsa de Valores, o preço dos ativos de risco também caíram. Essa combinação de ativos baratos e juros baixos, tornam a renda variável mais atraente que a renda fixa aos olhos de muitos investidores. 

Para quem possui perfil mais agressivo e aberto a tomada de risco, agora pode ser um ótimo momento para investimentos. Para isso, é importante ter uma boa visão de quais empresas foram mais afetadas pela crise e como elas irão se recuperar. É interessante preferir por aquelas que foram menos afetadas pela crise ou terão uma recuperação mais rápida. 

Dentre os setores menos afetados pela crise estão: Elétrico e Saneamento, Alimentos e Bebidas e Concessões. Então podemos citar Sanepar, Transmissão Paulista, AMBEV e Localiza como investimentos de qualidade em tempos de crise do COVID-19.

Outra forte orientação é optar por empresas de grande qualidade, que são estáveis, de confiança e líderes no mercado. Isso porque as boas empresas tendem a continuar sendo boas, com recuperação confiável

Assim, muitas saem da crise mais fortes do que quando entraram, dado sua vantagem competitiva dentro dos setores que estão alocadas. Para este critério, nomes como B3, Itaú e VALE são seguros. 

Maior erro é arriscar sem suporte

Mas é preciso manter a cautela. Não é porque os preços estão baixos que é hora de comprar indiscriminadamente. A instabilidade presente da bolsa exige parcimônia. O nível da bolsa está baixo, o que não significa que não irá piorar ainda mais.

Nestes momentos, é importante ser cuidadoso. Esperar a volatilidade diminuir e a economia voltar a estabilidade faz com que as previsões sejam mais seguras e podem tornar os investimentos mais certeiros. 

Para isso, planos de longo prazo, adaptados ao seu perfil de investimento são sempre as melhores apostas. Montar uma carteira de investimento diversificada, que se ajuste aos diferentes momentos da vida econômica sua e de seu país é um desafio que exige cuidado e atenção constante, mas garantem os melhores resultados. Dessa forma, momentos de crise se transformam em oportunidades de grandes retornos. A melhor forma de garantir essas conquistas é tendo sempre ao seu lado uma equipe especializada de investimentos, preparada para te oferecer suporte e as melhores opções para todas as situações.

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Felipe Chad
Autor

Felipe Chad, CFP®, é o sócio fundador do portal Omeupatrimonio.com.br e da 3P Capital. Tem vários anos de experiência em atendimento a clientes de alta renda e private, além de ser líder de equipe de assessores de investimentos há mais de 10 anos.

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