Em junho deste ano, o Banco Central realizou uma nova redução da meta da taxa Selic, de 3% para 2,25%, atingindo seu menor patamar histórico. Mas afinal, qual  é o impacto dessa decisão? A Selic caindo é bom ou ruim para a economia? E como isso afeta o meu investimento? 

Se suas dúvidas são iguais ou semelhantes a essas, siga a leitura e fique por dentro de tudo que mudou com a queda da selic. 

A Selic

Para conseguirmos responder a estas questões, primeiro precisamos entender o que é a taxa Selic. 

A Selic é a taxa de juros básica da economia. Ela é obtida ao calcular a média ponderada da remuneração das instituições financeiras nas operações com títulos públicos. Este valor sempre acompanha a meta de juros da Selic definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. 

Em resumo, a Selic serve como o balizador das taxas de juros aplicadas no Brasil. Desse modo, todas as outras taxas praticadas no mercado utilizam ela como parâmetro.

Por este motivo, a taxa Selic é um importante instrumento de política monetária. Nesse sentido, afeta a economia de pelo menos três formas: ajuste de juros, controle inflacionário e rentabilidade de diversas aplicações financeiras.

O efeito da Selic na economia

A taxa de juros ajuda a controlar a circulação de moeda na economia. 

Nesse momento, como os juros estão baixos, os empréstimos se tornam mais acessíveis, poupar se torna menos rentável e, assim, a propensão ao consumo aumenta. 

Em resumo, com a Selic caindo, os seguintes efeitos poderão ser vistos na economia: 

  • A inflação tende a aumentar;
  • Os empréstimos ficam mais baratos;
  • Os investimentos podem perder rentabilidade.

Já se há aumento na Selic, os efeitos na economia são:

  • Queda na inflação;
  • Empréstimos menos atrativos;
  • Rentabilidade do investimento em alta.

Escolhendo onde investir com a Selic em baixa

Como visto anteriormente, a Selic tem um impacto direto na rentabilidade dos investimentos. Isso porque diversas das opções de títulos são indexadas à Selic ou CDI, que tem como base a taxa de juros. 

Com a Selic caindo para 2,25% ao ano, produtos financeiros de renda fixa como CDBs pós-fixados, LCI, LCA, poupança e Tesouro Selic sofrem com uma grande queda de rentabilidade. Mas, quais seriam agora as melhores opções de investimento? 

Renda Fixa

Para o investidor mais conservador ou que busca diversificar a parte fixa de sua carteira de investimento, a queda da Selic fez títulos prefixados ou híbridos se tornarem mais atraentes. Entre as opções, temos:

Tesouro Prefixado (LTN) – É um título de renda fixa que possui rentabilidade prefixada. Dessa forma, o valor do retorno é firmado na hora da compra, não estando atrelado a nenhum outro indicador. 

Tesouro IPCA+ – É um papel do tesouro de categoria híbrida. Tem como rendimento a combinação de uma parte prefixada, e outra indexada à inflação, medida pelo IPCA (não sendo, portanto, corroída pela inflação). 

CDBs prefixadas de baixa liquidez – É possível encontrar opções de CDBs prefixadas com prazos de 2 a 6 anos que pagam taxas entre 9% a 10% ao ano. Para aqueles que buscam a segurança de papéis cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor do Crédito) e não querem abandonar este tipo de título, esta pode ser a melhor opção. 

Crédito Privado – São títulos de crédito emitidos por empresas privadas, como Debêntures, Letras Financeiras, CRIs e CRAs. Podem ser prefixados, pós-fixados, ou  híbridos. Estas duas últimas categorias são atreladas à Selic ou ao IPCA, mas com rendimentos muito mais vantajosos que a taxa Selic. Não possuem cobertura do FGC, sendo a opção de maior rentabilidade e risco da renda fixa. 

Renda Variável

As opções de renda variável são as que mais ganham com a Selic caindo. Com juros baixos, o crédito se torna mais barato, o que faz com que as empresas invistam mais e pessoas aumentem o consumo

O aquecimento da economia provocado pela queda da Selic garante mais lucros para as empresas, valorizando suas ações e aumentando seus dividendos. Com essas condições, o investimento no mercado de capitais se torna mais atraente e com a promessa de rendimentos elevados.

Por conta disso, este pode ser o momento mais oportuno para começar a investir em ações da Bolsa de Valores, ou em Fundos Imobiliários

Em momento de queda de juros, selecionar as opções certas de compra e venda de títulos é mais fácil no papel do que na prática. Para otimizar suas opções na hora aplicar seu dinheiro, é fundamental contar com o suporte de uma assessoria de investimento especializada. 

Com o auxílio de profissionais qualificados e com certificação para atuar no mercado de investimentos, é possível compor uma carteira de títulos que equilibra risco, liquidez e retorno. 

Dessa forma, é possível obter rendimentos altos mesmo com a Selic caindo, aplicando de maneira segura e alinhada ao seu perfil de investidor, objetivos e condições financeiras.

Felipe Chad
Autor

Felipe Chad, CFP®, é o sócio fundador do portal Omeupatrimonio.com.br e da 3P Capital. Tem vários anos de experiência em atendimento a clientes de alta renda e private, além de ser líder de equipe de assessores de investimentos há mais de 10 anos.

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